Lembrei! Acordei as 6h, olhei para o Frederico e ele estava dormindo ao lado da minha cama. Se minha mãe o visse iria morrer de tanto ficar puta - como pode um cachorro dormir ao lado de pessoas? - Principalmente um asmatico-alergico-morto-vivo como eu. Era isso o que eu queria lembrar... Porque pessoas se misturam com pessoas e não somente com animais?
Eu acordei, escovei os dentes e fui pescar lá em Porto. No meio do caminho enquanto dirigia, pensei nas pessoas que estão em minha vida... Ás poucas!
Desde os tempos mais primórdios eu evito gente. Durmo tarde para ficar sozinho, acordo cedo para não encontrar ninguém, às vezes evito marcar com pessoas não por causas pessoais com as mesmas, mas por se tratar de gente. Há alguns poucos anos eu aderi à pesca como esporte... O contato extremamente másculo com a natureza, mesmo enviadado por estar segurando uma vara, é tão doce quanto uma relação sexual... e melhor, afinal eu pesco sozinho! E até a falta de som no meu automóvel não me faz falta.
Minha mãe sempre me pergunta qual o meu problema com as pessoas. Ouve época que eu acreditei que isso realmente fosse um problema, mas pensando bem...
Logo quando entro em Porto de Galinhas esqueço-me do mar. Só vejo gente! Gente, gente, gente, gente...
Gente quase pelada, Viados, Velhas antipática. Tinha ate um Cearense com a bandeira dos Estados Unidos estampada na sunga. Véi, não basta nascer antipatriótico com aquela cabeça oval estilo superbowl, ele tem de usar uma sunga americana. Malditos Indígenas pré-hístorico.
E a praia? Será que as pessoas vão dominar até as minhas horas de sossego?
Uffa! Finalmente... Pescar! Perto de um quiosque fechado e de cor gay, estacionei, peguei meu banquinho e esperei na sombra com sanduíches de salame com cheddar, erdinguer e a edição 55 de Spawn que tem mais de 40 páginas véi.
Esses momentos assim, apesar de servirem para o meu sossego extra-humano, me fazem lembrar os meus amigos. As pessoas naturalmente vão a praia com pessoas, Relaxar, como elas falam. Droga, eles são essenciais!
Logo depois de pensar nisso aparece uma gaja, bonita! Talvez melhor se aquele biquíni não fosse tão pequeno, ela tinha muitas curvas. Parou, e ficou olhando para mim discretamente. Logo, parei e como não se devesse nada, a olhei dos pés a cabeça.
Ela se aproximou e disse "Oi", eu respondi com "oi" e fingi que continuava lendo (ou pensando), mas na verdade tava a encarando ou esperando ela falar algo. E ela não falou. Ela começou a rir!
Disse que era a pessoa mais excêntrica que ela teria visto. Talvez eu fosse! Mas quem precisa dela? Fingi que não a ouvi e continuei lendo.
Um pescador precisa de silêncio. Ele não deve nada se não a sua pesca e a disponibilidade de está sempre próximo a maçaneta da vara. Por isso gosto tanto dos meus amigos! Eles me recompensam com a ausência necessária. São como a vara e a pesca. Tão perto e tão distante.